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07 outubro, 2011

falsidade, ingratidão, perdão

Resolvi escrever isso porque acho que tem umas coisas na vida que acontecem bem na hora que precisam acontecer. Tipo escrever agora. Tipo a yoga hoje.

Apesar de gostar, quase nunca faço yoga. Ontem e hoje eu fiz yoga. Esqueci o par de tênis em casa, e né, não tem como correr, pular e lutar sem tênis.

Aí hoje, na hora do relaxamento a professora colocou uma mensagem sobre perdão. “Lá vem” eu pensei. Mas até que não era melosa, aquelas coisas de power point. Tá, era um pouco melosa, mas só prestei atenção na parte legal.

P.S.: acho que estraguei a mensagem, ela nem tá parecendo tão legal quando tu chegares a ler, mas acredite em mim, ela era bem legal.


Mas antes de qualquer coisa, vamos contextualizar você, amigo leitor.


Seguinte: Na verdade, sempre achei perdão uma palavra muito forte. Muito séria, sisuda, e me lembra Igreja e Deus e aquela ladainha toda. Eu sempre fui do tipo “perdôo, mas não esqueço”. E eu não sei se isso é bem o que podemos chamar de perdão. Chame isso de rancor - pode até ser, mas só por um tempo. Não deixo isso me corroer, acho que é perda de tempo ficar triste ou com raiva de alguém bosta. Até que chega uma hora que vira pura indiferença. Se morrer, tanto faz. Sério. Acho que já disse isso aqui, mas é a pura verdade. Ou eu sinto pena. Pena por existir tanta gente pequena no mundo. Pena porque esse tipo não nasceu pra evoluir. Nunca vai saber o que é crescer; vai continuar vivendo e morrer como um verme, bicho nojento, que se esgueira e rasteja, sobrevivendo de restos. Restos da vida dos outros.


Agora, vamos à tal mensagem. Era mais ou menos assim:


Pra aprender a perdoar, você primeiro precisa aprender a SE perdoar.


E existem quatro etapas para saber se você é capaz de perdoar.


1- Dê um tempo

Ou seja, deixa baixo. Se alguém te fez alguma merda, espera um pouco antes de fazer algo a respeito. Deixa passar um tempo, a poeira abaixar. Resumindo: fica na tua, analisando a questão.


2 – NÃO LEMBRO, MAS NÉ, O QUE IMPORTA ESTÁ NOS PASSOS 1, 3 e 4 VIU


3 - Deixe a raiva de lado

Quando você pensa na pessoa e no que ela fez, e deixa de sentir raiva pra sentir PENA... É porque você está a um passo do perdão.


4 – Perdoe

Perdoe. Mesmo que seja um “Perdôo, mas se...”, “Perdôo, contanto que...”, “Perdôo, e vou esquecer isso...”, “Perdôo, mas não dou outra chance.”


Aí eu fiquei feliz, porque seguindo essa linha de raciocínio acho que sei perdoar. Até que chega um dia que não faz diferença sentir raiva ou tristeza ou qualquer coisa: o dia em que tu só queres evitar a fadiga.

06 abril, 2011

uma apaixonada pela vida

Estava ontem no consultório do meu cirurgião, com várias dondocas na recepção(uma com adesivo nos pés de galinha, a outra com botox....e eu lá né, pobre miserável, esperando pra reparar um erro – claro, Murphy tem que provar que me ama).
Uma das dondocas pega essas revistas de fofoca – aliás, é só o que tem - se depara numa matéria onde uma escritora cometeu suicídio 3 meses após o noivo ter se suicidado também (uma história bem triste). Aí ela larga a pérola:

- Ai, que horror! Mas pra quê a pessoa faz uma coisa dessas...sabe o que é isso? É falta de Deus na vida dela. Só pode ser falta de Deus.

Cara. Diz que é depressão. Que é maluquice. Diz que é qualquer merda, mas porra, falta de Deus não, né?
Que vontade de mostrar pra ela o que o excesso de boxe e muay thai faz na vida da pessoa, isso sim! Passou tanta coisa, mas tanta coisa na minha cabeça pra responder praquela cabeça de camarão loira do olho repuxado...que eu me limitei a ficar olhando com cara de “Aham moça, senta lá”.

Aí ontem eu comecei a ler “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, e no prefácio fala algo tão bonito sobre isso, que resumiu tudo o que eu penso sobre esse assunto:

[...] Como você se comporta hoje, o que você faz com cada momento, como você explora os talentos e as oportunidades à sua disposição são coisas muito mais importantes para um ateu genuíno do que para os devotos mais religiosos. Longe de perder o sentido, o que você faz nessa vida subitamente torna-se incrivelmente importante, já que você só tem essa única possibilidade de fazer a coisa certa, de mudar alguma coisa, de contribuir de alguma forma para aqueles que você ama ou que seguirão seus passos. [...]

19 outubro, 2010

frase do dia

"Quer conhecer melhor sua namorada? Case.
Quer conhecer melhor sua mulher? Divorcie."

(de um colega do trabalho que se divorciou recentemente)

10 outubro, 2010

direcionado a todo mundo

Num momento filosófico (limpando a casa), me toquei que aprendi uma coisa, nessa longa estrada da vida (24 anos), entre botecos, terapia, conversas no MSN, desabafos com a mãe, discussões no trabalho, revelações com pessoas (nem sempre tão boas), nas reclamações em voltar, e na dúvida cruel entre continuar:

Aprendi que não interessa o lugar onde tu estás: a grandiosidade ou pequenez está dentro da gente. A culpa não é do lugar que é muito grande ou muito provinciano: a culpada é a forma como nos comportamos. Sempre vai ter alguém provinciano demais pra uma metrópole, e sempre vai ter alguém grande demais pra uma cidade pequena.
E normalmente, os que se julgam mais grandiosos são os mais arraigados pelos costumes que tanto desprezam. Pode notar.

20 julho, 2010

Dia do Amigo*



Difícil querer definir amigo.

Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta. Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.

É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.


Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia.

Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação: amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

*(recebi por e-mail e guardei desde o ano passado)

12 janeiro, 2010

logo eu

Passei a minha vida toda construindo um muro. Um muro bem alto, e bem espesso. Difícil de transpor. Pra esconder de todos e guardar algo muito, muito frágil lá dentro, onde ninguém tivesse acesso.
Poucas pessoas conseguiram atravessar esse muro. Muito poucas, eu diria. E o número diminui, a medida que as pessoas precisam ficar do lado de dentro do muro, pra compreender melhor a fragilidade, camuflada na força. Porque, veja bem, não é uma coisa fácil de compreender. Talvez porque eu não facilite, ou porque eu não saiba facilitar. E...sabe de uma coisa? Cansa ficar o tempo todo em guarda, cuidando pra que a construção não desmorone e o trabalho de anos vá por água abaixo. Mas é necessário, eu sei que é.

Até que aparece alguém que me deixa completamente desarmada. Eu baixo a guarda, fico desatenta, maravilhada, hipnotizada. Sabe quando a gente derrama um pote de glitter no ar, e fica parada olhando aqueles brilhinhos e luzinhas todas? Estou assim.
E pouco a pouco, junto com o pó do glitter, eu vejo o muro se desfazendo. Desmonorando, caindo por terra. Até que a nuvem de fumaça formada pelo muro destruído, junto com os brilhinhos me envolva, e cubra tudo, até eu não enxergar mais nada. Não vejo um palmo além do meu nariz, e não entendo nada. E o que é mais assustador, é que eu não estou com medo. Porque, no fundo, eu sempre tive medo. Medo de me entregar aos meus sentimentos. Porque de alguma forma eu já sabia, sabia que eles eram turbilhonados, barulhentos...Talvez estivesse me enganando, tentando mantê-los lá, quietinhos - ou era ignorância mesmo, de nunca ter sentido isso antes.
Mas de alguma forma eu já sabia que gostar pela metade não serve pra mim. Meio-termo é uma palavra que não consta no dicionário da minha vida, e acho que nunca vai constar. Essa é a minha essência: oito ou oitenta, amo ou odeio, ou me jogo ou nem vou.

E estou feliz. Muito feliz. Sabe aquela felicidade que chega a dar vontade de chorar? Aquela felicidade que chega a dar medo, de tão perfeita que é?

O que eu to sentindo é um...bom eu não sei o que é. Aliás, acho que sei. Pela primeira vez, estou pura e genuinamente apaixonada.

15 dezembro, 2009

vivendo e aprendendo

Ontem eu descobri ser verdade o que minha mãe sempre disse: que uma pessoa calma, quando nervosa, assusta muito mais do que alguém sempre nervoso (tipo, eu).


Eu tava quase dando piti no corredor porque agora resolveram trancar a porta da copa – sabe-se lá porque – justamente na hora que eu cheguei com o estômago colado nas costas, depois de uma apresentação coralística na hora do almoço (é, o coral sempre se mete em furada, incrível. Quando não é o lugar imprestável, é o horário...). As cópias da chave estão com poucas pessoas, e ninguém nem se mexeu pra abrir a porta pra mim enquanto eu estava reclamando e quase grudando no pescoço de uns.


Respirei fundo, entrei em um dos laboratórios dos meus colegas e falei tranquilamente, com o sorriso mais cândido e puro que vocês possam imaginar:


“Oi! Olha só, ou alguém me dá as chaves da copa agora, ou eu vou arrombar aquela porta. E estou falando sério.”


Em menos de 1min, dois colegas já levantaram da cadeira com as chaves.


Isso é pra aprender a não se estressar por coisa pequena. Às vezes é só dar um sustinho :)

12 junho, 2009

descobertas II

- Aqui no Sul minha pele e cabelo ficam mais bonitos. Não tenho olheiras, bolsa embaixo dos olhos, o cabelo fica escorrido...
No Rio, acordo com o rosto mais inchado - certo que é por causa do clima.

Depois, quando tou lá e digo que prefiro frio, todo mundo me olha como se fosse um alien...
 

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