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27 outubro, 2011

mário de andrade


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente, do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado que futuro.
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Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
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Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
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Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica são imaturos.
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Detesto fazer acariação de desafetos que brigaram
pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
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Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

07 outubro, 2011

falsidade, ingratidão, perdão

Resolvi escrever isso porque acho que tem umas coisas na vida que acontecem bem na hora que precisam acontecer. Tipo escrever agora. Tipo a yoga hoje.

Apesar de gostar, quase nunca faço yoga. Ontem e hoje eu fiz yoga. Esqueci o par de tênis em casa, e né, não tem como correr, pular e lutar sem tênis.

Aí hoje, na hora do relaxamento a professora colocou uma mensagem sobre perdão. “Lá vem” eu pensei. Mas até que não era melosa, aquelas coisas de power point. Tá, era um pouco melosa, mas só prestei atenção na parte legal.

P.S.: acho que estraguei a mensagem, ela nem tá parecendo tão legal quando tu chegares a ler, mas acredite em mim, ela era bem legal.


Mas antes de qualquer coisa, vamos contextualizar você, amigo leitor.


Seguinte: Na verdade, sempre achei perdão uma palavra muito forte. Muito séria, sisuda, e me lembra Igreja e Deus e aquela ladainha toda. Eu sempre fui do tipo “perdôo, mas não esqueço”. E eu não sei se isso é bem o que podemos chamar de perdão. Chame isso de rancor - pode até ser, mas só por um tempo. Não deixo isso me corroer, acho que é perda de tempo ficar triste ou com raiva de alguém bosta. Até que chega uma hora que vira pura indiferença. Se morrer, tanto faz. Sério. Acho que já disse isso aqui, mas é a pura verdade. Ou eu sinto pena. Pena por existir tanta gente pequena no mundo. Pena porque esse tipo não nasceu pra evoluir. Nunca vai saber o que é crescer; vai continuar vivendo e morrer como um verme, bicho nojento, que se esgueira e rasteja, sobrevivendo de restos. Restos da vida dos outros.


Agora, vamos à tal mensagem. Era mais ou menos assim:


Pra aprender a perdoar, você primeiro precisa aprender a SE perdoar.


E existem quatro etapas para saber se você é capaz de perdoar.


1- Dê um tempo

Ou seja, deixa baixo. Se alguém te fez alguma merda, espera um pouco antes de fazer algo a respeito. Deixa passar um tempo, a poeira abaixar. Resumindo: fica na tua, analisando a questão.


2 – NÃO LEMBRO, MAS NÉ, O QUE IMPORTA ESTÁ NOS PASSOS 1, 3 e 4 VIU


3 - Deixe a raiva de lado

Quando você pensa na pessoa e no que ela fez, e deixa de sentir raiva pra sentir PENA... É porque você está a um passo do perdão.


4 – Perdoe

Perdoe. Mesmo que seja um “Perdôo, mas se...”, “Perdôo, contanto que...”, “Perdôo, e vou esquecer isso...”, “Perdôo, mas não dou outra chance.”


Aí eu fiquei feliz, porque seguindo essa linha de raciocínio acho que sei perdoar. Até que chega um dia que não faz diferença sentir raiva ou tristeza ou qualquer coisa: o dia em que tu só queres evitar a fadiga.

06 abril, 2011

uma apaixonada pela vida

Estava ontem no consultório do meu cirurgião, com várias dondocas na recepção(uma com adesivo nos pés de galinha, a outra com botox....e eu lá né, pobre miserável, esperando pra reparar um erro – claro, Murphy tem que provar que me ama).
Uma das dondocas pega essas revistas de fofoca – aliás, é só o que tem - se depara numa matéria onde uma escritora cometeu suicídio 3 meses após o noivo ter se suicidado também (uma história bem triste). Aí ela larga a pérola:

- Ai, que horror! Mas pra quê a pessoa faz uma coisa dessas...sabe o que é isso? É falta de Deus na vida dela. Só pode ser falta de Deus.

Cara. Diz que é depressão. Que é maluquice. Diz que é qualquer merda, mas porra, falta de Deus não, né?
Que vontade de mostrar pra ela o que o excesso de boxe e muay thai faz na vida da pessoa, isso sim! Passou tanta coisa, mas tanta coisa na minha cabeça pra responder praquela cabeça de camarão loira do olho repuxado...que eu me limitei a ficar olhando com cara de “Aham moça, senta lá”.

Aí ontem eu comecei a ler “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, e no prefácio fala algo tão bonito sobre isso, que resumiu tudo o que eu penso sobre esse assunto:

[...] Como você se comporta hoje, o que você faz com cada momento, como você explora os talentos e as oportunidades à sua disposição são coisas muito mais importantes para um ateu genuíno do que para os devotos mais religiosos. Longe de perder o sentido, o que você faz nessa vida subitamente torna-se incrivelmente importante, já que você só tem essa única possibilidade de fazer a coisa certa, de mudar alguma coisa, de contribuir de alguma forma para aqueles que você ama ou que seguirão seus passos. [...]

15 dezembro, 2010

polaca

Aí eu comprei o livro “A Banda Polaca”, do Dante Mendonça, que fala sobre os polacos do Brasil Meridional.

E no livro tem uma coisa que eu concordo pra cacete: que ser chamado de polaco não tem nada demais.

Eu sou descendente de poloneses. E bah, olha, eu acho uma palhaçada, uma babaquice do caralho, gente que só quer ser chamado de polonês, e acha que “polaco” é a pior ofensa do mundo. Ora, eu sei das prostitutas européias que eram chamadas de polacas, que vieram pra cá no começo do século pra “esbranquiçar” a população. Mas nem por isso eu me sinto uma puta quando alguém me chama de polaca. E se olhar a origem etimológica da palavra, polaco é a tradução direta para “polak” na língua polonesa. DUH!


Acho essa coisa de nomenclatura uma babaquice. Assim como eu não me sentiria nem um pouco ofendida se eu fosse negra e me chamassem de negra. Ah é, agora é afrodescendente...

06 novembro, 2010

fico Barbie na caixa

Tou de cara com certas pessoas que conheço/ conheci em Criciúma.
Gente que primeiro fala que não vai com a cara, ou não suporta o outro, pra daqui a 1 ano ser “melhores amigos”. Ou gente que vive grudado e do nada briga, pra se odiarem e daqui a pouco voltam a se falar.

Cara, não sei. Não sei se é o tempo que passa pras pessoas se conhecerem e eu não acompanho isso por estar fora; não sei se é a falta de opção de amizade, que te “obriga”, invariavelmente, a conversar com alguém que tu não gosta...

Talvez eu seja intransigente. Talvez eu seja desconfiada. Talvez seja porque eu não esqueço tão facilmente das coisas... mas pra mim isso não tem outra definição a não ser hipocrisia e falsidade. Ou talvez, falta de personalidade.

21 julho, 2010

english class

A professora colocou um vídeo de uns 10min pra gente, de uma mulher falando sobre o crescimento absurdo de produção no último século, enfim, "american at work".
Quando terminou, ela perguntou o que a gente achou, e os comentários começaram: "Ah, interessante porque blablabla..."

Prof.: Silvia?
Eu: Olha, eu acho que ela deveria fazer uma plástica. Vocês viram o papo e o pescoço dela?! Gente, não tem nada a ver com o rosto dela! Ia melhorar bastante...será que ela não percebe?

17 julho, 2010

Biblioteconomia

Pois é, passei pra esse curso de acordo com a minha nota do ENEM. Vou estudar na Unirio, que tem o campus mais lindo do que todos os outros (fica na Urca, de frente pro Pão de Açúcar). Rá!
Me perguntem porque, e eu digo que foi a classificação que consegui com a nota.
Não, não tem nada a ver com o meu trabalho.
Mas e daí? É pública mesmo, noturna, não vai atrapalhar meu trabalho e ainda é relativamente perto de casa.
Eu não sei direito o que espero desse curso, e foi igual com Mineração: não almejava nada de especial. Talvez eu desista e mude o curso, ou então eu goste e continue, e resolva ser a moça que organiza informações e dados. É bem capaz, porque recuperando amostras de rocha que estavam acondicionadas incorretamente, eu percebi que eu realmente gosto dessa coisa de organização, sabe? De arrumar e saber que no futuro, daqui a uns 20 anos, alguém vai querer coletar essas amostras para fazer uma análise – que pode ser uma análise crucial de um projeto. E gosto de saber que eu fiz algo útil, eu deixei tudo organizado e facilitado para a pessoa usar e aproveitar da melhor forma, e mais rápida possível.

Eu acho que tenho espírito pra coisa...mas pra saber se vou ter saco, só fazendo, né?

17 novembro, 2009

colombo

Da primeira vez que fui . Foi em 2007, quando vim pela primeira vez ao Hell prestar o concurso. Fiz questão de conhecer a Colombo pela história, e porque é um lugar muito bonito (e porque sou viciada em café). Bem, lá fomos eu e Luis. Lembro como se fosse hoje, sentamos numa mesa para 2 pessoas, o garçom passou com o menu, eu embasbacada com cara de DÃ olhando pro vitral no teto e praquele monte de espelhos...e das opções, optei pelo que já conhecia (é, sou chata pra comidas que desconheço): mini-chessecake com calda de framboesa, e o Luis pediu um bule de chocolate.

E continuamos conversando, observando o ambiente (tinha até um pianista famosão lá, Luis que disse, nem conheço, fikdik), tudo muito bonito mesmo, sabe? Super-conservado. E quando eu vou em lugares assim, fico viajando, tipo “Nossa, Machado de Assis já esteve nesse mesmo lugar! Villa-Lobos já pisou aqui!”...e entre essas viagens históricas maravilhosas, nossos pedidos chegaram.

Gente, sério. Nunca fiquei tão decepcionada na minha vida com um pedido...o mini-cheesecake era mini MESMO, ele cabia na palma da minha mão (detalhe, isso pela bagatela de R$ 7!! SETE REAIS por um mini-bolinho tu engoles sem mastigar de uma vez!)

E o bule de chocolate quente, que pelo tamanho mais parecia um bule saído do joguinho de chá da Barbie? E foi um absurdo também, em termos de valor, só não lembro agora...porque o que me chocou foi a relação custo/ tamanho do mini-chessecake.


Sugestão: peçam uma bomba de chocolate, creme, uma fatia de torta, um salgado, que é mais barato e bem maior. Nada de pedir qualquer mini – quiche ou cheesecake - a não ser que tu estejas sem muita fome e disposto a desperdiçar dinheiro.

28 outubro, 2009

be happy

Numa das inúmeras paradas pro cafezinho, no trabalho, eis que começam a falar de religião: “Não entendo, como essas pessoas que não acreditam em Deus, não tem religião, não crêem em nada, são felizes? COMO eles vivem bem? Não faz sentido!” – e eu, lá, ouvindo, quieta. Juro que estava. Aí eles vêm e pedem a minha opinião...

Eu disse que o fato de eu ser feliz ou não, não depende de Deus. Não é o conforto das palavras que um padre/ pastor/ livro prega, que vai me trazer felicidade. Isso só depende de mim, e mais ninguém. Sou eu quem determina ser feliz em cada situação e momento da minha vida. Pra mim, o que não faz sentido é depositar a minha felicidade em cima de uma religião, pessoa, ou divindade – nesse caso, é certo que eu estaria com sérios problemas (pensaria logo no Transtorno Bipolar, coisa de família, sabe. Assunto íntimo que eu conheço bem). Mas o principal desses problemas é o de não assumir responsabilidade pelos meus atos. Afinal, é muito fácil agir feito uma imbecil e colocar a culpa em outra pessoa – ou depois de fazer a caca, pedir perdão a um ser que tem todos os poderes dos X-Man, Conan, e Smallville reunidos e ficar sossegada, pronta pra outra.

O que EU não entendo é como dá pra ser feliz com a sombra do Onipresente no teu pé, vigiando tudo o que tu fazes, das coisas mais banais às mais horrendas, anotando num caderninho todos os teus pecados, pro dia do Juízo Final, ele jogar na tua cara tudo o que tu fizeste em vida. Sei lá, a fome das crianças na África não é mais importante pra ele se preocupar, do que se eu passei a noite em luxúria?
Aí eu me pergunto (desde pequena): MASUÉ! Não é ele que perdoa todos os nossos pecados? Quer dizer, posso sair por aí matando a rodo, porém tenho uma chance no Reino das Nuvens Fofinhas... Mas se for estuprada e fizer um aborto, sou excomungada? Que porra de critério é esse, neguinho? Padrão analítico que é bom, nada, né?

E olha...se esse Deus existir, vou chegar na cara dele e dizer: tu és, disparado, o cara mais sarcástico e non-sense que pude conhecer. E se quiser me mandar pro Inferno, fique à vontade...porque pra mim aquilo é um resort de verão.
 

Made by Lena