Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente, do que já vivi até agora.Tenho muito mais passado que futuro. . Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente,mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. . Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,cobiçando seus lugares, talentos e sorte. . Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,que apesar da idade cronológica são imaturos. . Detesto fazer acariação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. . Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Falo com conhecimento de causa, porque já estagiei numa mina subterrânea, e não-é-fácil. Quem tem claustrofobia, forget it: já pensou, que delícia constatar que existe 150m de siltito em cima da tua cabeça? Sustentada apenas por uns cabos de aço, que são perfurados no teto? Ficar 30min lá embaixo já é uma tortura – e não só por isso, também tem as goteiras (já que acima podem existir lençóis fluviais), e a gente ainda tem de usar os EPIs (equipamento de proteção individual), que são o capacete, as botas e a porcaria da máscara. Sério, aquilo é MUITO RUIM, porque assim, lá embaixo da terra já é quente pra dedéu, e a máscara te dá mais calor ainda (experimenta ficar 20min com uma máscara na frente do pc mesmo. Tu vais tirar a máscara toda suada. Eu trabalho em laboratório e eventualmente preciso usar, é uma droga. Necessária, mas não deixa de ser uma droga). Assim como trabalhar em plataforma, as condições são muito adversas.
Pois é, mas todas essas coisas ruins que eu disse, acontecem em um turno de 6h. Imagina ficar 70 DIAS lá embaixo. Com a sensação de morte iminente...imagina o teu psicológico, como fica
Eu fiz um curso de salvatagem há uns 2 meses, que é necessário pra quem quer embarcar em plataforma de petróleo. E tem a parte prática, que é saltar de 4m de altura (até 6m, dependendo) numa piscina (ou mar. Eu fiz na piscina), praticar nado com o colete salva-vidas, formação de agrupamento na água, todo mundo abraçado de tal forma que ninguém morra de hipotermia, como se comportar caso tenha que ficar numa balsa inflável, ou numa baleeira (que é HORRÍVEL); como racionar a comida, a água, e detalhe: em momentos como esse, se esquece o sexo. Não importa se é homem ou mulher: condições iguais. Se tiver de tirar a roupa, fazer necessidades fisiológicas, é na frente do outro mesmo. Como desvirar a balsa, caso ela arme de cabeça para baixo (a gente tem que subir nela e se jogar pra trás, e sair nadando por BAIXO dela). É uma situação MUITO tensa.
Essa é a baleeira, e todos ficamos apertadinhos aí dentro...e ela é lançada de cima mesmo.
Tou falando isso porque as pessoas não tem noção de como esse trabalho de segurança é importante, e podem achar chato a quantidade de vezes que esse lance dos mineiros chilenos está aparecendo na imprensa. Mas eu só fico imaginando o trabalho da equipe de resgate, todo o preparo físico, de material, e principalmente psicológico, pra atuar junto com os mineiros. Sem contar a atitude destes, que foi exemplar! O senso de equipe e a liderança nessas horas são fundamentais mesmo, porque a gente esquece até do básico, do essencial.
Realmente, foi algo impressionante, lindo e que me emocionou. Pelo comportamento dos mineiros e da equipe de resgate...foi simplesmente perfeito e exemplar. Nessas horas a gente vê, que tudo o que aprendemos sobre segurança nesses cursos, realmente vale a pena e faz todo sentido do mundo. Nessas horas a gente vê como foi importante ter aprendido.
Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta. Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.
Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia.
Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.
Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação: amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.
*(recebi por e-mail e guardei desde o ano passado)
Vou escrever hoje, porque amanhã viajo rumo a POA, fugindo dessa balbúrdia que é o Rio de Janeiro no Réveillon! Wo-hoo!
Ah, e falando sério, eu gosto muito mais desse clima de renovação do Ano Novo, do que o espírito hipócrita natalino. A minha intenção era fazer uma retrospectiva bonitinha, mas não gosto muito disso porque sempre acabo esquecendo a metade das coisas que eu fiz/ não fiz. Anyway...
Esse ano foi uma merda pra mim. Um monte de coisa ruim aconteceu em escala absurda: decepções, problemas familiares, doenças. Sei lá, não gostei e já tá demorando pra acabar. Gostei mais do ano passado – acho que porque eu podia gastar mais e esse ano estava cheia de dívidas, hahaha! Enfim, apesar do povo adorar uma tragédia, vamos citar só as coisas legais que aconteceram esse ano (e que a minha memória permite lembrar):
Digo que duas coisas principais salvaram este ano falido. Uma delas foi a aquisição de uma flauta linda, prata e decente que vai ser minha por toda a minha vida! Quase ninguém sabe, mas meu maior sonho, desde os 10 anos, era ter uma flauta transversa e aprender a tocar. Nunca quis tocar pra ser musicista profissional, ou pra me apresentar em bandas ou orquestras. É aquilo de fazer por ti, por prazer mesmo. Não toco para aparecer...eu toco pra mim, e isso me basta. Então nesse ano surgiu a oportunidade, comecei a estudar música e já completei 1 ano, indo pro 3º semestre. É o básico do básico, mas se dá pra tocar e entender, é o suficiente. Pode parecer bobo, mas é sério: todo dia eu abro o estojo e namoro um pouquinho o meu bebê. :) Porque é uma coisa que eu sempre quis ter, e consegui. E cara, essa sensação de realização é muito boa!
A outra coisa foi conhecer pessoas. Conhecer pessoas é muito legal, eu gosto. Mas essas são particularmente muito, muito especiais. A turma do Bule foi imprescindível, tenho que citá-los aqui: muita gente foda no que faz, e foda como pessoa, sabe? São pessoas lindas, lindas mesmo. Tive a oportunidade de conhecer todos, e está sendo ótimo. E tudo isso me mostra que a cumplicidade em um relacionamento não deve ser baseado no tempo que ele existe – como muita gente acredita - e sim no grau de empatia das pessoas. Recentemente, no Natal, conheci blogueiros de Criciúma, o Chicuta, a Deise e a Ju Dacoregio, que são simplesmente adoráveis!
Conheci amigos de Sampa de looonga data internética, de outros blog, anos, eras (né Sissi? Linda!) e de quebra, ela me apresenta (por blog, não pessoalmente – ainda), a Re, que é uma fofa, dona de uma flor de lótus lindíssima tatuada nas costas!
Ah tá, sem contar meu cabelo que foi diminuindo gradativamente (ainda apareço com um moicano verde) junto com a cor dos cabelos, os piercings foram aumentando e as tattoos também. Acho até que a minha mãe já se conformou em ter uma filha-gibi.
Eu queria falar mais, só que um infeliz mandou amostras de gás pra mim AGORA, dia 30/12 às 15h43, numa tarde MUITO chuvosa, e estou sozinha no laboratório e tenho que ir correndo buscar (esse cara deve ser muito mal-amado!).
Então aqui ficam meus votos de Feliz 2010, muitas realizações e coisas boas nesse ano, muito melhores que 2009!
Numa das inúmeras paradas pro cafezinho, no trabalho, eis que começam a falar de religião: “Não entendo, como essas pessoas que não acreditam em Deus, não tem religião, não crêem em nada, são felizes? COMO eles vivem bem? Não faz sentido!” – e eu, lá, ouvindo, quieta. Juro que estava. Aí eles vêm e pedem a minha opinião...
Eu disse que o fato de eu ser feliz ou não, não depende de Deus. Não é o conforto das palavras que um padre/ pastor/ livro prega, que vai me trazer felicidade. Isso só depende de mim, e mais ninguém. Sou eu quem determina ser feliz em cada situação e momento da minha vida. Pra mim, o que não faz sentido é depositar a minha felicidade em cima de uma religião, pessoa, ou divindade – nesse caso, é certo que eu estaria com sérios problemas (pensaria logo no Transtorno Bipolar, coisa de família, sabe. Assunto íntimo que eu conheço bem). Mas o principal desses problemas é o de não assumir responsabilidade pelos meus atos. Afinal, é muito fácil agir feito uma imbecil e colocar a culpa em outra pessoa – ou depois de fazer a caca, pedir perdão a um ser que tem todos os poderes dos X-Man, Conan, e Smallville reunidos e ficar sossegada, pronta pra outra.
O que EU não entendo é como dá pra ser feliz com a sombra do Onipresente no teu pé, vigiando tudo o que tu fazes, das coisas mais banais às mais horrendas, anotando num caderninho todos os teus pecados, pro dia do Juízo Final, ele jogar na tua cara tudo o que tu fizeste em vida. Sei lá, a fome das crianças na África não é mais importante pra ele se preocupar, do que se eu passei a noite em luxúria? Aí eu me pergunto (desde pequena): MASUÉ! Não é ele que perdoa todos os nossos pecados? Quer dizer, posso sair por aí matando a rodo, porém tenho uma chance no Reino das Nuvens Fofinhas... Mas se for estuprada e fizer um aborto, sou excomungada? Que porra de critério é esse, neguinho? Padrão analítico que é bom, nada, né?
E olha...se esse Deus existir, vou chegar na cara dele e dizer: tu és, disparado, o cara mais sarcástico e non-sense que pude conhecer. E se quiser me mandar pro Inferno, fique à vontade...porque pra mim aquilo é um resort de verão.
Acho que todo mundo deveria trabalhar e logo que pudesse, ir morar sozinho. Se a experiência não der certo e tiver que voltar pra casa, tudo bem; mas ainda assim é válido como aprendizado. Vejo muitos (mas muitos mesmo) amigos meus, que fazem faculdade e não trabalham, ou é por preguiça, por achar que merecem coisa melhor, ou pensam que alguns trabalhos são “vergonhosos”... Ou dizem que não querem trabalhar em algo no qual não estudaram. Aí eu me pergunto: esse povo não pensa que, se os pais morrerem, do que elas vão viver? Elas nunca cogitaram essa possibilidade e realmente pensam que os pais são eternos? Muitos desses meus amigos já querem começar “por cima”, e criticam outras pessoas que (minha opinião) são realistas e procuram um estágio, ganhando miséria. Porque é assim que se começa mesmo, quebrando a cara, sem ninguém pra te proteger, e sempre seguindo em frente. Aprendi que uma coisa é sonhar alto e ter ambição; outra coisa é deixar se iludir com seus sonhos. A ambição contribui pra isso, mas principalmente a desnecessidade de trabalhar pra pagar suas contas e se manter. Porque a realidade é nua, crua e nada romântica, meus caros. Morar sozinho e cuidar da sua própria vida é muito bom; mas o preço também é muito alto. É receber o salário já pensando nas contas do final do mês; é se privar de sair num final-de-semana porque precisa estudar, limpar a casa e lavar roupa; é programar sua próxima aquisição com um 6 meses de antecedência; é ter de arrumar um bombeiro hidráulico quando a privada resolve travar em plena domingueira de manhã...Quem passa por isso sabe valorizar tudo o que tem.
Eu penso que todo trabalho, não interessa qual, é útil, porque te faz amadurecer, criar responsabilidade, se sociabilizar com outras pessoas diferentes, aprender a se controlar. Aliás, pra tudo na vida a gente tem que pensar assim: “alguma coisa eu tiro daqui, alguma coisa eu aprendo”. Não importa se é um trabalho totalmente fora da casinha. Pra mim, o feio mesmo é não trabalhar, não se esforçar, não se dedicar, e ainda por cima atribuir a culpa da sua infelicidade nos outros, como se o mundo fosse responsável pela sua falta de vontade e tivesse a obrigação de lhe dar as coisas de mão beijada.
Vocês confiam em uma pessoa que muda de opinião o tempo todo? Porque me desculpem...eu não consigo. Gente que adota essa lema Raul Seixas de "se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor"? Se hoje eu te odeio, amanhã provavelmente vou continuar te odiando. No máximo, isso evolui pra uma indiferença gélida.
Acho esse negócio de mudar de idéia o tempo todo doentio. Sinceramente.
Tava falando com um amigo de Criciúma segunda-feira, no MSN, e ele me disse uma coisa que me fez refletir. Aliás, tou pensando nisso até agora. Uma coisa muito verdadeira, vale pras pessoas que foram morar longe da cidade natal, família, amigos:
Os amigos que a gente faz de prima, ou as pessoas que tu já conhecias quando se mudou, nunca continuarão sendo os “melhores amigos” como tu achavas que deveria... Em contrapartida, as pessoas que estes amigos acabaram apresentando – estas sim -, se tornam bons e verdadeiros amigos. Por acaso, afinidade, interesse, destino, conseqüência, não sei...Mas sei que está sendo assim comigo, e achei mágico quando o Frank me disse isso no MSN.
Claro que isso não é regra; mas das pessoas que eu já conhecia aqui no Rio (eram quatro), só com duas eu continuo conversando – sendo que com uma dessas, o nosso contato é um pouco “raro”, pois moramos em bairros distantes, fica complicado... (um assunto pra outro post, a distância dos lugares aqui. Nem lembro se já falei sobre isso, mas enfim, voltemos ao assunto). Logo, a teoria tá valendo 50% no meu caso. E referente as duas outras pessoas, acabei me afastando, basicamente, porque elas não eram o que demonstravam ser. Engraçado é que justamente essas me proporcionaram a chance de conhecer outras pessoas maravilhosas, que definem exatamente o sentido de “amigo”.
Enfim, coisas que a gente vai descobrindo quando se encontra sozinho. Uma delas é que nos tornamos mais seletivos no quesito amizade...pra não dizer exigentes.