28 janeiro, 2010

cardio

- E você fuma?
- Hm...é, às vezes.
- Como, às vezes? Com que freqüência é às vezes?
- Ah, quando eu bebo, saio prum barzinho...aí dá vontade e eu fumo.
- E você bebe sempre?
- Ah sei lá, todo final de semana...ou menos ainda. Mas deixa assim, considere todo final de semana.
- Olha, você não veio aqui pra isso, mas é meu dever te aconselhar. Por que você não para de fumar? Eu sei que na maior parte das vezes as pessoas fazem certas coisas para serem aceitas num grupo, pra mostrar que tem atitude, mas quem tem atitude mesmo é a pessoa que se mantém firme e (a médica olha pra mim)...Ih, sou chata, né?


(decididamente, eu não sei disfarçar)

20 janeiro, 2010

dolores o'riordan

a camaleoa

Quando eu tinha 10 anos, falei pra minha mãe que eu queria ter a orelha toda furada que nem a dela. E raspar o cabelo também, que nem ela. Ah, e ser magrela que nem ela. Porque a barriga dessa mulher me encanta desde a infância.
Uma prima que me apresentou Cranberries (a única coisa boa que ela fez por mim), quando eu era criança. E eu fiquei fascinada com a atitude dela, o jeito franzino mas a personalidade fortíssima, a voz meio desafinada e linda, a forma como ela consegue ser brega e chique ao mesmo tempo, o sotaque irlandês carregado. Com 13 anos comprei o CD To The Faithful Departed, e ficava imitando ela cantar Salvation, When You're Gone e o início da Eletric Blue Eyes.

Acho que ela e a Marie Fredriksson são as únicas vocalistas que eu realmente invejo, em todos os aspectos - com exceção da Marie, que é chique de doer, sempre foi, até nos anos 80, onde a breguice comanda. Muito fina, muito high class.

sei que Cranberries vem pro Brasil final do mês. E eu tou assim, me mordendo pra ir. Porque é lembrar da infância. É poder ver a musa inspiradora do estilo que eu sonho em ter - tá, tirando a parte brega dela.

Olha Dolores, não furei toda a minha orelha não - até tentei aos 12 anos, mas ela inflama muito, e descobri que meus furos na orelha são tortos. Então não tem como seguir uma linha reta com os brincos na orelha inteira. Mas eu tenho piercings pra compensar...compensa? Espero que sim.

14 janeiro, 2010

papis

Veio me visitar, chegou ontem e fica 1 semana.

resumindo: nesse meio tempo, ele já sabe mais da vida do porteiro do meu prédio do que eu (ele é do Maranhão e tá aqui há 21 anos, sabia? Mas agora ele só viaja pra lá pra visitar) e já até tomou uma cerveja num bar, não esse da esquina, outro que tem aqui na tua rua, mais lá embaixo, naqueles prédios residenciais..., além de conversar com os caras que estavam num happy hour - detalhe, NUNCA vi esse bar.

E eu toda preocupada. Rá.

12 janeiro, 2010

logo eu

Passei a minha vida toda construindo um muro. Um muro bem alto, e bem espesso. Difícil de transpor. Pra esconder de todos e guardar algo muito, muito frágil lá dentro, onde ninguém tivesse acesso.
Poucas pessoas conseguiram atravessar esse muro. Muito poucas, eu diria. E o número diminui, a medida que as pessoas precisam ficar do lado de dentro do muro, pra compreender melhor a fragilidade, camuflada na força. Porque, veja bem, não é uma coisa fácil de compreender. Talvez porque eu não facilite, ou porque eu não saiba facilitar. E...sabe de uma coisa? Cansa ficar o tempo todo em guarda, cuidando pra que a construção não desmorone e o trabalho de anos vá por água abaixo. Mas é necessário, eu sei que é.

Até que aparece alguém que me deixa completamente desarmada. Eu baixo a guarda, fico desatenta, maravilhada, hipnotizada. Sabe quando a gente derrama um pote de glitter no ar, e fica parada olhando aqueles brilhinhos e luzinhas todas? Estou assim.
E pouco a pouco, junto com o pó do glitter, eu vejo o muro se desfazendo. Desmonorando, caindo por terra. Até que a nuvem de fumaça formada pelo muro destruído, junto com os brilhinhos me envolva, e cubra tudo, até eu não enxergar mais nada. Não vejo um palmo além do meu nariz, e não entendo nada. E o que é mais assustador, é que eu não estou com medo. Porque, no fundo, eu sempre tive medo. Medo de me entregar aos meus sentimentos. Porque de alguma forma eu já sabia, sabia que eles eram turbilhonados, barulhentos...Talvez estivesse me enganando, tentando mantê-los lá, quietinhos - ou era ignorância mesmo, de nunca ter sentido isso antes.
Mas de alguma forma eu já sabia que gostar pela metade não serve pra mim. Meio-termo é uma palavra que não consta no dicionário da minha vida, e acho que nunca vai constar. Essa é a minha essência: oito ou oitenta, amo ou odeio, ou me jogo ou nem vou.

E estou feliz. Muito feliz. Sabe aquela felicidade que chega a dar vontade de chorar? Aquela felicidade que chega a dar medo, de tão perfeita que é?

O que eu to sentindo é um...bom eu não sei o que é. Aliás, acho que sei. Pela primeira vez, estou pura e genuinamente apaixonada.
 

Made by Lena